quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Transparente, Pô!

Gosto de gente transparente
Não daquele mistério de mentirinha
De quem encontra-se opaco
Ou daquele gosto insosso
De quem está vazio
Como lido em revista de mocinha

A gente transparente me agrada
Porque transparece mesmo quando não quer
Quando eu abraço alguém assim, translúcido
Como num sonho, vejo meu braço
Através do abraço, num matiz fúlgido
Não sou mais eu, aí sou muito mais que eu
E o ser abraçado é potencialmente infindo
em profundidade

Gosto de mim
E ando tão transparente, fótons em vôo...
Que ao alguém abraçar o ar
Seja o caso de um abraço ao acaso
Seja perceber alguém que não invisível sou
Invisível?
Profunda superficialidade...
Ignorais as fossas abissais!

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Francisco Bentois
In.: Poemas Imediatos


O manuscrito original contém um texto curioso ao fim:
"Nota para Dulcinéia Potato - Você é tão inteligente quanto bela e tão doce quanto possível. Obrigado por ajudar este velho poeta"

Um comentário:

CalvinGirl disse...
Este comentário foi removido pelo autor.